
Melancolia, humor e romance na medida certa
Histórias
envolventes, interpretações sem estrelismos,
músicas pop de boa qualidade na trilha sonora. Receita
fácil para um filme fazer sucesso mas artigo raro no
cinema atual. Por isso os filmes de Sofia Coppola se destacam
da pasmaceira hollywoodiana.
São pequenos grandes filmes em que os atores atuam
de maneira solta, transmitindo o que pensam e sentem por meio
de gestos, olhares e silêncios.
Ela tem uma extrema sensibilidade para contar os dramas de
seus personagens. A ênfase maior está nas sensações
e transformações vividas por eles do que na
própria história em si.
Sua estréia na telona ocorreu há alguns anos,
como atriz – ela interpretou a filha de Dom Michael
Corleone (Al Pacino) no Poderoso Chefão III,
dirigido por seu pai, Francis Ford Coppola. Seu fraco desempenho
atraiu muitas críticas e por algum tempo ela sumiu
do mapa – montou uma confecção de roupas
com um amigo no Japão e se casou com um jovem diretor
cultuado (Spike Jonze). Até que descobriu que o seu
negócio mesmo era o cinema, mas atrás das câmeras,
como o pai.
Em
1999 realizou As Virgens Suicidas, baseado em livro
de Jeffrey Eugenides, de forte carga dramática (que
ela mesma adaptou para a telona). O filme acompanha o dia
a dia de cinco irmãs adolescentes, que vivem sob o
rígido controle da mãe católica (Kathleen
Turner) e praticamente esquecidas pelo pai intelectual (James
Woods). O desenrolar dos acontecimentos é contado pelos
vizinhos, que veneram as meninas de longe. Ou seja, sabemos
da tragédia familiar por meio de pessoas fora da situação.
Há muitos porquês mas não muitas respostas.
Fica a cargo do espectador criar a sua própria versão
para os fatos. Os pontos fortes são a boa reconstituição
de época (anos 70); a bela fotografia, que opõe
os dias ensolarados e as sombrias noites; e o elenco afinado.
O segundo filme, Encontros e Desencontros, de 2003,
encantou o público e conquistou a crítica especializada
–além do próprio meio cinematográfico,
como prova as indicações ao Oscar deste ano
– ao contar uma história de amor não convencional,
tendo como pano de fundo a incomunicabilidade das relações
atuais e os problemas de adaptação em uma cultura
estranha.
O enredo é o seguinte: dois norte-americanos sofrendo
de insônia – o ator decadente Bob Harris (Bill
Murray) e a jovem Charlotte (Scarlett Johansson), mulher de
um fotógrafo workaholic – se encontram
em um hotel de Tóquio e começam uma amizade
ao perceberem que possuem várias coisas em comum, inclusive
a insatisfação com a vida que levam.
O
batido tema do choque cultural permite boas gags
e também que Bill Murray brilhe em diferentes seqüências
que exigem sua verve cômica, como a da sala de ginástica;
a cena em que trava um diálogo com um japonês
na sala de espera do hospital e quando é atração
de um programa de televisão.
Mas a sua química com Scarlett Johansson também
funciona muito bem e a melancolia presente em algumas cenas
– marca registrada de Sofia como diretora – aproximam
a história da vida real.
Agora é esperar por suas próximas produções.
| Ficha Técnica: As Virgens
Suicidas
Diretor: Sofia Coppola
Elenco: James Woods, Kathleen Turner, Kirsten Dunst,
Josh Hartnett, Michael Paré, Scott Glenn, Danny
DeVito, A.J. Cook, Hanna R. Hall, Leslie Hayman, Chelse
Swain, Anthony DeSimone.
Nacionalidade: Estados Unidos, 2000
Duração: 97 minutos
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Encontros e Desencontros
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Bill Murray, Scarlett Johansson, Giovanni Ribisi,
Fumihiro Hayashi,
Daikon, Hiroko Kawasaki, Anna Faris, Asuka Shimizu,
Akiko Takeshita,
Ryuichiro Baba, Kanuyoshi Minamimagoe
Nacionalidade: Estados Unidos, 2003
Duração: 105 minutos
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: 14 anos |
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